Pode ter acontecido com você. Entra no ônibus certa moça de feições agradáveis e senta ao seu lado: a partir daí nada é mais o mesmo. Poxa, ao meu lado? Havia mais lugares? Havia mais muito-mais lugares. É hora de manter a calma e agir normalmente – dada a mínima probabilidade de ela ter se interessado por você, o que, de fato, pouco importa no momento.
Os braços, onde os manter? Por algum tempo procura uma boa posição, evitando movimento bruscos. Nesse ínterim, a moça mexe no cabelo. Opa!, li em algum lugar que mexer no cabelo é sinal de sedução (sem dúvida, um estudo relevante). Volte a respirar, volte a respirar.
Passam-se minutos assim: olhando para a janela, para o corredor, tentando aumentar o campo visual em relação a ela. Os braços continuam imóveis, agora meio dormentes. Lembra-se, então, que está em desvantagem, já que as mulheres têm uma visão periférica muito melhor; ela provavelmente está lhe vendo.
Num nada de segundo, as pernas se tocam, seja por obra do destino ou da prefeitura que forçou a curva. Vocês não as recuam, tornando o jogo crítico. E agora? Ela já sacou tudo, meu caro, não adianta fugir e dar uma de fraco publicamente.
Nos momentos seguintes você tenta aproximar o braço dormente mais alguns milímetros da fulana, à espera de alguma reação. Ela não reage, pois, certamente está se fazendo de difícil.
Mais minutos passados, ela ajeita a bolsa, o que a leva a encostar levemente em seu braço. Bingo! Você estava certo, campeão. É hora de investir: pense, pense!
Das muitas táticas e maneiras para a abordar, você escolhe uma e se prepara: poucos movimentos, pulso zero. Antes do ataque – talvez alertada pelos sentidos aguçados (ou simplesmente porque chegou ao destino), ela se levanta e desce. Assim?
Sobrou aquela sensação de ter conquistado uma namoradinha. Foi um flerte que, no voar do pensamento, resultou em casamento, filhos, netos e caixões lado a lado.
Na verdade ela não fez nada, apenas esteve ali; o resto foi um teatro seu, sozinho, monótono monólogo. Mas ela lhe marcou. Ah! Isso sim.
Espero-a numa próxima viagem.
Os braços, onde os manter? Por algum tempo procura uma boa posição, evitando movimento bruscos. Nesse ínterim, a moça mexe no cabelo. Opa!, li em algum lugar que mexer no cabelo é sinal de sedução (sem dúvida, um estudo relevante). Volte a respirar, volte a respirar.
Passam-se minutos assim: olhando para a janela, para o corredor, tentando aumentar o campo visual em relação a ela. Os braços continuam imóveis, agora meio dormentes. Lembra-se, então, que está em desvantagem, já que as mulheres têm uma visão periférica muito melhor; ela provavelmente está lhe vendo.
Num nada de segundo, as pernas se tocam, seja por obra do destino ou da prefeitura que forçou a curva. Vocês não as recuam, tornando o jogo crítico. E agora? Ela já sacou tudo, meu caro, não adianta fugir e dar uma de fraco publicamente.
Nos momentos seguintes você tenta aproximar o braço dormente mais alguns milímetros da fulana, à espera de alguma reação. Ela não reage, pois, certamente está se fazendo de difícil.
Mais minutos passados, ela ajeita a bolsa, o que a leva a encostar levemente em seu braço. Bingo! Você estava certo, campeão. É hora de investir: pense, pense!
Das muitas táticas e maneiras para a abordar, você escolhe uma e se prepara: poucos movimentos, pulso zero. Antes do ataque – talvez alertada pelos sentidos aguçados (ou simplesmente porque chegou ao destino), ela se levanta e desce. Assim?
Sobrou aquela sensação de ter conquistado uma namoradinha. Foi um flerte que, no voar do pensamento, resultou em casamento, filhos, netos e caixões lado a lado.
Na verdade ela não fez nada, apenas esteve ali; o resto foi um teatro seu, sozinho, monótono monólogo. Mas ela lhe marcou. Ah! Isso sim.
Espero-a numa próxima viagem.